por Valter Assis *

Se você recebesse agora, neste exato momento, um milhão de dólares, o que você faria? Continuaria trabalhando ou deixaria de trabalhar e iria desfrutar a vida? Fiz essa pergunta em um grupo de 45 pessoas e apenas uma delas levantou a mão e disse que iria desfrutar a vida.

Há algum tempo fui surpreendido com uma publicação incomum em um famoso jornal de São Paulo, em que um executivo recém-aposentado anunciou algo mais ou menos assim: “Troco meu sítio na cidade de Ibiúna, com uma casa grande, 5 alqueires de terras cultiváveis, uma granja com 150 galinhas, 30 cabeças de gado nelore e 2 tratores em bom estado, por um cargo executivo em uma empresa…”.

Fica evidente, ao avaliarmos situações como essas, que sem o trabalho muitas pessoas podem se ver frente a um vazio existencial. A perda do status do cargo e do habitat de trabalho costumeiro pode provocar um sentimento de incapacidade, de inutilidade, com riscos de levar o profissional à depressão e, muitas vezes, até à morte em pouco tempo.

Por outro lado, o que também nos surpreende é o fato de que pesquisas de conceituados institutos, como o Gallup e o ISMA, apontam que 82% dos profissionais ativos, tanto no Brasil como na população mundial, estão insatisfeitos no trabalho.

No mundo todo, as metas agressivas, o excesso de responsabilidade e de atividades e o alto grau de preocupação têm levado um grande contingente de pessoas a sofrer com um nível absurdo de estresse.  Este cenário é corroborado pelo posicionamento da OMS, que já há algumas décadas considera o estresse como o mal do século, responsável por muitos problemas de saúde e, em muitos casos, chegando até à síndrome de Burnout — um distúrbio psíquico causado pela exaustão extrema, relacionada ao trabalho do indivíduo.

Então, o que está errado no mundo de hoje? O que as pessoas realmente esperam de suas vidas? Qual é o sentido da vida humana? O que queremos ter realizado, ou quem queremos ser, quando chegarmos lá no final da nossa vida?

Por não termos clareza sobre as nossas prioridades, muitas vezes sacrificamos algumas áreas importantes da nossa vida, em função da dedicação extrema a outras atividades. Falo sobre a solução desse dilema em meu livro “O domador de tempestades”. Nele, defendo que é com base na harmonização das inteligências física, mental, emocional, espiritual e financeira que devemos, a cada dia, organizar nossas atividades e pensamentos.

Todo ser humano almeja e se esforça para ter uma vida saudável, próspera, feliz, com união familiar e bons relacionamentos. Entretanto, se antes da atual crise mundial nós já estávamos perdidos para construir uma rotina, em tempos de quarentena e pandemia, então, nem se fala.

Duas histórias inspiradoras, mas que se contrapõem em seus desfechos, podem servir para ilustrarmos a importância da hierarquização das prioridades na busca do sentido da vida.

Uma é a história do garoto indiano Ramanujan, documentada no filme “O homem que viu o infinito”, que possuía duas inteligências altamente desenvolvidas: a mental cognitiva, voltada à matemática, e a espiritual, voltada para as orações e a fé por crer que sua inspiração vinha do próprio Deus, que falava à sua mente.

Ainda jovem, foi professor convidado do renomado Trinity College, em Cambrige, onde suas teorias contribuíram para estudos do buraco negro, da economia e do desenvolvimento de computadores. Um gênio comparado a Isaac Newton e ao próprio Einstein, porém cuja rotina desequilibrada o levou a perecer aos trinta e dois anos. Havia negligenciado outras prioridades da vida, como o equilíbrio financeiro, a saúde, a família e os próprios amigos.

A outra história é do menino Chico, personagem do livro “O domador de tempestades”, um caso entre milhões de garotos nascidos no interior brasileiro, que saiu da condição de “pés no chão” e chegou a ocupar cargos de vice-presidência em grandes empresas multinacionais.

A obra revela como Chico, com a ajuda de um mestre oriental, construiu um plano de vida, com base em segredos e fundamentos que passaram a ser os pilares de seu modo de ser; e que ele executou com garra e determinação, durante toda sua jornada de sucesso. E que também usou e usa para embasar sua missão de transmitir esses ensinamentos ao maior número de pessoas possível.

Pois bem, levando em conta essas considerações, pare por alguns momentos para pensar sobre o seguinte ponto: você vive a vida que quer, ou a que deveria viver?

Seja qual for a sua realidade atual, os seus problemas, o seu estilo de vida, este artigo se propõe a desafiá-lo a fazer um teste para saber o ranking das prioridades na sua vida. Até porque, sem sombra de dúvida, o sucesso só vale a pena se não deixar a ambição pelo bom cargo e pela alta remuneração tirar de você o tempo que precisa ser dedicado ao seu lado pessoal e familiar.

Então, vamos fazer alguns cálculos iniciais, tomando como base uma semana típica da sua rotina:

  1. a) Você tem 168 horas disponíveis para sua rotina semanal (24 x 7 = 168).
  2. b) Vamos descontar 49 horas de sono, em média, na semana (7 x 7 = 49).
  3. c) Concluindo, você dispõe de 119 horas na semana, para distribuir entre as 5 áreas da sua vida (168 – 49 = 119).

Então, avalie agora: como você distribui essas horas? Pense um pouco sobre isso e responda às seguintes questões:

1) Área da Inteligência Financeira/Trabalho: vamos considerar, por exemplo, que você gaste 54 horas semanais nesta área de trabalho (jornada de 44 horas, mais 10 horas de trajeto na semana). Sobram então 65 horas por semana, para serem distribuídas entre os próximos itens.

2) Área da Inteligência Física/Saúde: quantas horas semanais você gasta neste item?

3) Área da Inteligência Mental/Família: quantas horas semanais você gasta neste item?

4) Área da Inteligência Emocional/Social: quantas horas semanais você gasta neste item?

5) Área da Inteligência Espiritual/Valores: quantas horas semanais você gasta neste item?

Lembre-se que a soma das horas nestes cinco itens deve ser 119.

Feita esta distribuição sobre como você gasta o seu tempo de 119 horas por semana, as perguntas que você deve responder agora são:

1) Você administra seu tempo de forma a dedicar tempo para todas as 5 áreas?

2) Como está a distribuição do seu tempo naquilo que é o mais importante na sua vida?

3) Considerando que tempo é vida, esta distribuição o está levando à realização de uma vida com sentido?

4) Existe alguma área com tempo igual a zero? Se for este o caso, reflita sobre isso. Qual é o seu sentimento ao saber que não está dando a devida atenção a uma dessas áreas importantes da sua vida?

5) Você considera esta distribuição sustentável para a manutenção da sua saúde e de uma vida que vale a pena?

Para se viver com valores e discernimento é preciso ter um sentido de vida. Se você sabe o que deseja, de coração, então defina na sua linha do tempo pelo menos uma meta para cada umas dessas áreas: financeira, física, mental, emocional e espiritual.

O que você quer fazer da sua vida? Essa foi a pergunta crucial feita pelo mestre oriental do menino Chico, no meu livro “O domador de tempestades”. E essa é a pergunta que eu faço a você.

Você pode fazer da sua vida o que quiser, levar o seu destino para onde desejar, desde que saiba aonde e como ir. Portanto, elabore o seu plano de vida considerando a sua rotina semanal, mensal e anual. Tenha um norte, um caminho a seguir. Afinal, ninguém pode chegar a lugar algum sem um mapa para saber para onde vai!

Preparar-se para viver é agir agora!

* Valter Assis, o “Mestre Chico” –  Escritor, Líder Treinador, Mentor de Vida e Terapeuta Transpessoal. https://linktr.ee/Valter_Assis