País pode perder boa relação comercial e política com o atual presidente dos EUA caso o pleito de novembro seja vencido pelo democrata Joe Biden

São Paulo, outubro de 2020 – Em 03 de novembro, os americanos vão às urnas para escolher entre a permanência do republicano Donald Trump ou a eleição do democrata Joe Biden. Embora seja um evento de interesse internacional, muitos brasileiros têm dúvidas: Qual dos candidatos é melhor para as nossas relações comerciais e políticas? Atualmente, os Estados Unidos são um dos principais parceiros comerciais do Brasil, ou seja, é o segundo maior mercado para nossas exportações, atrás apenas da China. 

O rol de produtos exportados para os Estados Unidos é bem variado, onde  cerca de 10% é relacionado ao petróleo e óleos brutos. “Além disso, é possível destacar produtos semi-manufaturados derivados do ferro, aço e gasolina. Como o Brasil também possui uma característica agroexportadora, há uma soma de diversos produtos desse segmento, dentre os quais podemos destacar o café (cerca de 3% do total). Dados de 2019 indicam que há um déficit na balança comercial: exportamos por volta de US$ 27 milhões e importamos algo em torno de US$ 28 milhões”, aponta Rodrigo Fernando Gallo, professor de Política e Relações Internacionais do Instituto Mauá de Tecnologia.

O alinhamento  do presidente de Jair Bolsonaro com Donald Trump, em algumas perspectivas, coloca o Brasil numa posição delicada no comércio internacional. O problema é que Trump trava uma guerra comercial contra a China – que é nossa principal parceira no comércio exterior. Por conta disso, essa disputa coloca o governo brasileiro numa posição delicada, já que optamos, nessa gestão, por nos aproximar dos Estados Unidos. Portanto, o dilema é: como manter o alinhamento com Trump sem desagradar o governo chinês?

“Logo, analisando apenas por essa perspectiva, a vitória de Biden poderia, supostamente, aliviar essa pressão, uma vez que o democrata eventualmente cessaria a polarização com a China. No entanto, a vitória de Biden representaria o fim do acesso privilegiado que Bolsonaro e seu staff têm à Casa Branca. Então, o que podemos concluir é que, politicamente, a vitória de Trump manteria o diálogo atual do Brasil com os Estados Unidos”, diz o especialista. 

Eleições americanas

Vale lembrar, que o processo eleitoral nos Estados Unidos é diferente do Brasil. O modelo de eleição majoritária para o Executivo Federal é baseado no sistema de Colégio Eleitoral, quer dizer,  o eleitor não vota diretamente no candidato, mas sim no partido. 

“Historicamente, na democracia norte-americana temos alternância entre dois mandatos republicanos e dois mandatos democratas. Então, apenas estatisticamente falando, há uma tendência de que os republicanos continuem no poder (isso, claro, exclui a conjuntura – é apenas uma avaliação estatística, que sugere uma tendência política)”, conclui Gallo.