Roberto Parenzi – Capitolio Comunicações Estratégicas

Para que o leitor menos familiarizado possa compreender, a sinistralidade, no caso da saúde suplementar, é a relação entre as despesas assistenciais gastas com o beneficiário e aquilo que paga o beneficiário para o plano de saúde:

Acima, as nomenclaturas utilizadas por operadoras de seguros e por seguradoras especializadas.

O mercado reconhece como percentual máximo para esta relação o índice de 75%.

Ou seja, do que a operadora recebe como contraprestação paga pelo beneficiário, o ideal é que o gasto com as despesas assistenciais não ultrapassem 75%. Os restantes 25%, teoricamente deveriam cobrir, Despesas comerciais, administrativas, não operacionais e impostos ficando o restante como lucro.

Porém, nos estudos que a Capitolio realiza anualmente, o que se observa é que esta não é a realidade do mercado, muito pelo contrário, está em índices perigosamente elevados, o que prejudica o resultado das operadoras.

O gráfico, a seguir, extraído do estudo anual realizado pela Capitolio e distribuído aos seus clientes desta assinatura, mostra um histórico destes índices até o ano de 2019:

Como se vê, apenas entre 2004 e 2005 tivemos um número razoável, passando posteriormente para uma casa de setenta alto e superando os 80% a partir de 2009.

Mas, qual a novidade?

A equipe Capitolio realizou um levantamento com os números do primeiro trimestre de 2020, período em que se instalou a pandemia do COVID-19, e obteve um número bem razoável da sinistralidade e, ao que tudo indica, tem relação direta com a Covid-19 e o isolamento social, época em que as pessoas procuraram evitar as ruas e, muito mais ainda, as clínicas e hospitais, sabendo-se que estão sendo adiados, até mesmo tratamentos necessários e exames.

A sinistralidade média neste primeiro trimestre recuou para 79,3% sendo que ao final de 2019 estava em 83,2%. (excluimos da média as operadoras odontológicas pra evitar distorção no comparativo) 

Em relação às modalidades de planos, os resultados obtidos foram os seguintes, levando-se em conta os resultados do primeiro trimestre 2020, vis-à-vis os resultados do ano de 2019.

Esta redução de 4,7%, transportada para valores, considerando-se o gasto total das despesas assistenciais de 2019, traduz em R$ 8,1 bilhões, quantia absolutamente significativa, ainda que não se tenha chegado a uma média ideal abaixo de 75%.

Porém fica uma grande preocupação. Como será o pós-pandemia caso esta redução na sinistralidade seja mesmo um represamento de utilização dos procedimentos pelos beneficiários? Pode ter um efeito manada e complicar definitivamente estes números.

É aguardar para ver.

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