Em março deste ano, o mercado de seguros que sempre se destacou pelos grandes e sofisticados eventos, foi impactado. A Revista Insurance Corp, lança uma série de entrevistas com membros da Associação das Mulheres do Mercado de Seguros (AMMS), com intuito em obter opiniões e lançar sugestões das líderes representativas do setor.

Participaram desta entrevista, Margo Black, atual presidente da entidade, com passagem marcante por várias empresas do mercado de resseguro como a H.Clarkson , atual AON, Munich Re, SCOR UK, entre outras, finalizando sua carreira como presidente da Swiss Re Brasil Resseguros e Diretora da América Latina Sul.

Fez parte também, Solange Guimarães, que ocupou o cargo de Superintendente de Comunicação Institucional da SulAmérica Seguros, e possui 25 anos de atuação em grandes veículos da imprensa e comunicação corporativa. Especialista em Gestão de Crise, Graduada pela PUC-SP, e mestre em Psicologia Social. É conselheira consultiva da AMMS.

E fechamos esta pauta com a conselheira da AMMS, Simone Ramos, que ocupa a Superintendência de Portos e Logística da THB Group, pós-graduada em Logística, Riscos e Sinistros pela ENS, especialização em Marine pelo The Chartered Insurance Institute. Atualmente cursa MBA em Gestão de Projetos pela USP e é coautora do Livro “Mulheres no Seguro”.

Insurance Corp – Em relação aos importantes eventos realizados no setor, com o famoso “olho no olho” e troca de experiências, como pensam que seguirão os acontecimentos, fora os webinars, lives e zoom. Acreditam que os eventos online irão continuar?

Margo Black – Sim, acho que as ferramentas de vídeo conferência serão a nova realidade e muitas reuniões e eventos não vão ser mais presenciais. Acredito que a pandemia mostrou que as companhias podem economizar enormemente no futuro com os funcionários trabalhando em home office e sem a necessidade de viajar. Na verdade, muitas companhias já tinham começado a reduzir o espaço nos escritórios com o sistema ‘hot desking’.

Solange Guimarães – Acredito que pós pandemia haverá uma mescla de eventos pessoais e online. O mercado de seguros é muito relacional e o contato entre pessoas faz parte do negócio. Por outro lado, a pandemia mostrou que podemos fazer reuniões mais objetivas pela internet. Como teremos um período difícil pela frente, com corte de custos, viagens, esta opção será muito procurada para eventos menores e com público de outras regiões.

Simone Ramos – Eu acredito que teremos as duas modalidades de eventos. As relações construídas no mercado de seguro são valorizadas e os eventos presenciais, devem retomar agora em locais mais abertos e espaçosos. Vão tomar um novo formato, antes os que eram somente presenciais, também passarão a ser transmitidos ao vivo. É um momento desafiador para o setor e de se reinventar. As empresas já estão buscando novas formas e modelos para que não se perca o “olho no olho”.

IC – A questão do home-office, acreditam que este modelo veio para ficar em alguns setores e departamentos?

MB – Acredito que muitas companhias já estavam implementando um sistema de home office, por um ou dois dias da semana. O grande desafio é os funcionários ajustar suas casas e rotinas com um trabalho efetivo e pontual.

SG – Era uma tendência que algumas empresas estavam testando em alguns departamentos. O isolamento social acelerou este processo e as companhias devem passar a utilizar mais, principalmente nas funções administrativas.

SR – Eu acredito que veio para ficar, a nova dinâmica mudou o modelo de trabalho. Se antes havia resistência de algumas empresas em aderir ao home office, já não existirá. Por outro lado, ganhou um aumento de produtividade e permitiu que líderes e gestores conhecessem melhor a realidade de seus times. O que poderia afastar acabou aproximando. O home office, já faz parte desta nova realidade.

IC – Este episódio inesperado, impactou o mercado de seguros e também as relações pessoais como um todo? Quais os resultados?

MB – Acho que o resultado é surpreendente. A indústria seguradora não foi muito impactada (talvez apenas na reputação por disputar se a pandemia está coberta ou não nas apólices, que tem perda de benefícios). Mas acredito que vai aumentar a demanda de seguro de linhas de Pessoas, Vida e Previdência e haverá demanda para produtos relacionados à pandemia, como ‘cancelamento de eventos’, etc.

SG – Os altos e baixos fazem parte do negócio e numa situação como esta, algumas carteiras foram mais afetadas que outras, mas o importante é que aumentou na opinião pública a percepção de valor em relação aos seguros. Apólices de vida, saúde e planos de previdência deverão ser mais procurados.

SR – Em toda crise há oportunidades e aprendizados. O mercado de seguros foi fundamental para orientar, aperfeiçoar clausulados e criar novos produtos. Em um futuro próximo enxergo o aumento de plataformas digitais. E mais humanização nas relações pessoais. Há um novo olhar. “No passado, os empregos dependiam de músculos, agora dependem de cérebro, no futuro eles vão depender do coração”, como escreveu a célebre economista Minouche Shafik, britânica-americana de origem egípcia.

IC – Após a pandemia acreditam que o ‘novo normal’ seguirá com eventos online, ainda intensos?

MB – Eu acho que em alguns casos sim, mas não será tão frequente. A Indústria seguradora é um negócio de pessoas e networking presencialmente é algo fundamental. Eu acredito que Seminários e Congressos continuarão a ser presenciais, mas outros eventos podem ser organizados em formato online.

SG – Não. Vai diminuir até porque haverá uma grande necessidade das pessoas de sair de casa e encontrar ‘gente’. As lives, estão saturadas, mas não desaparecerá, nem voltará ao patamar anterior à pandemia.

SR – É possível sim que as demandas permaneçam. Antes já haviam pedidos de profissionais que por logística ou motivos pessoais não conseguiam participar presencialmente. E certamente haverá meios de interação com todos os públicos, seja presencial ou online.

Aguardem um novo “bate papo” informal com as Mulheres do Mercado de Seguros. Elas sempre trazem ideias e inovações em seus depoimentos. Que venha o ‘novo normal’, o setor está preparado, para novos desafios.

  • Márcia Kovacs, Redação Revista Insurance Corp