Casa de análises não recomenda a compra de BRK.B aos investidores expostos ao mercado americano

São Paulo, 15 de maio de 2020 –  A Capital Research lançou recentemente um relatório relacionado a um dos principais temas do mercado financeiro nos últimos dias: os comentários de Warren Buffett, CEO e presidente do conselho da Berkshire Hathaway, durante a conferência anual de acionistas da companhia,  que dessa vez aconteceu via transmissão online. O levantamento, conduzido pelo analista Samuel Torres, dá detalhes sobre como Buffett fez para obter extraordinários retornos desde 1965 e avalia se as ações da companhia (BRK.B) parecem um bom investimento daqui para frente.

“É bastante conhecido que a performance acumulada da Berkshire é extraordinária, muito superior ao S&P 500: quem tivesse investido US$ 1,00 na Berkshire e US$ 1,00 no S&P 500 no início de 1965, teria, ao final de 2019, US$ 27.373 e US$ 196, respectivamente”, afirma Torres, ao comparar o conglomerado de Buffet ao principal índice de ações americano. Segundo o material, a analogia é possível porque o portfólio da companhia é bem diversificado, incluindo ativos de empresas como Apple, American Express, Coca-Cola e JPMorgan.

Um dos pontos destacados para explicar os retornos da Berkshire Hathaway foi o uso da alavancagem das seguradoras do grupo. Isto é, as seguradoras recebem antecipadamente de seus clientes os prêmios de seguro antes de ter de pagar eventuais sinistros. Nesse meio-tempo, com certas restrições regulatórias, as seguradoras podem investir esses valores. Além disso, a Capital Research ressalta que, em menor grau, a companhia utiliza, dentro do permitido pela Receita Federal Americana, a depreciação acelerada de suas propriedades e equipamentos, o que possibilita pagar os impostos mais para frente, sem incorrer em pagamento de juros.

casa de análises pondera os dois fatores apresentados e aborda o futuro do grupo de Buffett, que está com 89 anos. “Ele declarou que quando falecer, suas atribuições serão divididas em duas. Uma pessoa será o CEO e ficará responsável pela parte operacional das empresas do grupo, enquanto as decisões de investimento serão tomadas por um ou mais executivos. Apesar disso, determinadas transações serão submetidas à aprovação do conselho de administração e, por mais que, provavelmente, os cargos sejam ocupados por profissionais muito competentes, para aqueles que acreditam que a performance da Berkshire se deveu à genialidade de Buffett, esse certamente é um risco para a tese de investimento na BRK.B no médio prazo”, afirma Torres.

Além disso, o relatório assinado pelo analista-chefe, Samuel Torres, fez uma descoberta muito interessante. “Quando olhamos para a rentabilidade histórica, a partir de janelas de 10 anos acumulados de retorno – um prazo que consideramos longo suficiente para dirimir impactos de curto prazo, mas não tão longo a ponto de pesarem retornos muito antigos -, é possível perceber que a maior parte do ganho de rentabilidade da Berkshire Hathaway em relação ao S&P 500 aconteceu só até a década de 1990. Nos últimos anos, a performance da empresa se aproximou do S&P 500, inclusive ficando um pouco inferior na década 2009-2019”, revela Torres.

Diante disso e do exposto pelo próprio Buffett no documento “Owner-related Business Principles”, onde ele explica que se a performance da Berkshire não superar a do S&P 500 não faz sentido os investidores precisarem dele e do resto de seus colaboradores, a conclusão da Capital Research é de não recomendar a compra de BRK.B e preferir a exposição ao mercado de ações americano por meio do IVVB11 daqui em diante.

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